(Corvo Noturno-SP)
 
El Sol se va escondiendo,
y la luna espera impaciente su salida,
cada noche, cada mañana,
siempre igual, nada cambia.
Las nubes se desplazan,
todo está en moviemiento,
en armonía..
Yo quieto observando
cómo sopla el viento contra cada árbol,
contra cada cosa que encuentra a su paso.
Todo está cargado de vida,
todo nace y muere,
lo que nos hace sospechar
lo que a nosotros nos ocurrirá algún día.
Formamos parte de este engranaje,
de este ciclo.
Somos vida y somos muerte,
generamos y destruímos,
somos y no somos,
creemos que tenemos,
y no tenemos nada,
sólo a nosotros mismos,
la vida que cada día nos acompaña,
es lo único que nos pertenece,
porque somos ella,
y sin ella no somos nada...
 
 
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Quero este anjo
By: Paulino Vergetti Neto

Réprobo e primitivo anjo,
de que céu caíste,
que pecado doce
puseste em minhas coxas?

Anjo bom, já esqueci teu mal,
é doce esse carnaval
fazes comigo deitado.

Réprobo e primitivo anjo,
enganaste a minha alma
e molhada, deixaste lisa a carne
de quem rezava no silêncio dos justos.

Anjo bom, companhia de mel,
não ficas, nem foges,
envivece, salta deste papel.
 
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LIÇÕES DO HÁBITO
Benilton Cruz /Campinas

Só se aprende o que se sabe
Só se enxerga o que foi visto
Só se toca o que foi tocado
Só se diz o que foi dito

Só se ama o que foi amado
Só se prova o que foi provado
Só se beija o que foi beijado
Só se encontra o que foi perdido

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                                     Obdias Araújo
 
Em meu coração
desnudo
tatuei
inteiro
o poema
de teu corpo
 
 
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O POETA MORREU
                                 Márcio Galvão

Quando eu morrer,
Não me atribuam grande mérito ou glória.
Também não desejo o perfume acre-doce
Daquelas flores amarelo-desbotadas de caule fino.
(eu tenho uma renite asquerosa desde os tempos de eu menino),

Não quero das samambaias os verdes galhos,
E se possível, eu quero brancos agasalhos.

Dispenso grito e desmaios.

(Recitem poemas e cantem músicas de boa qualidade)
E se a mamãe, em desatinos, perguntar por mim,
Digam somente que estou dormindo.

Na capela,
...incensos
E luzes de vela,

E...
Por meu cadáver,
Chorem baixinho,
Façam orações,
Troquem carinhos
E digam palavras de conforto
Aos pais do morto.

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                                                                 Eduardo Dias
 
Porque sou seiva de rio
aroma do verde mato,
ainda que eu me ache
americanizadamente agreste,
sou blues no tucupi
carimbolando em Bucareste.

Porque sou de qualquer lugar,
porque vivo num lugar qualquer.
Meu coração curumim deságua no Cairo,
ou numa esquina de Liverpool.

Afro na mesma essência
nativo índio me encaixo,
correndo rio pro leste,
onde o vento caribe me tece.

Sou arco porto triunfo,
transpirando essa latinidade
na alma desses brasis.
(Visto-me com a Bombacha,
e sou intensamente nordeste).

Porque sou da saga tupi,
como qualquer coisa simples,
complexa e louca,
alma de arte cabocla.
Mas o que traduz o beijo na tua boca,
colorido cenário incandescente,
pulsa na magia paraense
na tala fecunda do Miriti.

 

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O que eles vêem em nós?
(De volta ao Espaço etéreo...)
 
                               Walber Pereira

O anel de saturno é palpável para nós,
e eles não...
incisões profundas em animais
são fáceis, para eles não.
Fabricação de naves interestelares
para viagens interplanetárias
nos confins do universo são concretas,
para eles não, não conseguem.

O que eles vêem em nós?
por que tanta curiosidade em desvendar
nossos mistérios?
Nossa pele?, nossa cor? e a nossa língua?
(já sabem disso também?)

Deixem-nos em paz humanos mundanos!
assassinos de próprios humanos!
deflagadores de holocaustos imbecis!
e tudo isso nós vimos, e sabemos
o que vai acontecer depois...
deixem-nos em paz!
 

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Às tardinhas,
moro onde meu coração me abraça
e meus olhos vêem a alegria.
Manhãs mornas dão-me sono
e a noite aguardo
para fazer poesia
olhando a lua nua
lindamente avistada
por minha alma.
Meu dia é um poema de amor
que sem estação ter
não me faz sofrer
porque o meu choro
é o abraço da aurora.

 
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Met/Áfora

onde a lua se esconde
por de trás da mata
e as cahoeiras cantam
quando tocam pedras
é lá onde ela mora
com teus cabelos de ouro
e me banha pele e couro
onde amanheço Ágora

Artur Gomes
 
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Bruma
Vagas ondas que banham o céu e a Terra
        fluem pela retina do meu olhar.
               Fluem por entre os escombros do que fui um dia.
 
Já se encontram dormentes os sonhos,
        mas a penumbra da noite acorda os vendavais
              que inebriam minha'alma ausente de mim mesma.
 
Entre luas e estrelas sigo muito além da madrugada,
    que recorda o que se perde, o que se esvai mais não se apaga.
       Caminho como quem ruma mansamente para além da bruma.
                                                                 (ANNATERRA)
 
 
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POESIAS
 

Uma estrela cadente

se encontrou com uma estrela ascendente.

Uma perguntou à outra: De onde vens, para onde vais?

ambas calaram... não sabiam a resposta!.

 

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“carne da boca
carne da face, carne dos pés
carne da carne...
Pele do braço
pele do ventre
pele do peito
pele da pele...
Alma do coração
alma da essência
alma do corpo
alma da alma"

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Pedaços,

pedaçados, prontos acabados,

inacabados, inteiros ou pela metade de mim.

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Quisera eu
que teus pensamentos em mim pensem
e me encontrem nas esquinas do teu dia-adia.
Quisera eu,
que teus olhos me busquem
e na busca me encontrem
nas esquinas das imagens da tua imaginação.
Quisera eu,
que teus passos me procurem
na vã procura e me encontrem
nas esquinas de qualquer canto.
Quisera eu,... que me queiras.
 
 
VINOLIA COSTA
 

LUMINOSIDADE
Firmo Cardoso/Renato Gusmão)

Quantos mistérios
Irão se revelar
No afã de um desejo
Na selagem do amanhecer
Feito fogo que vicejo
No zelo do sol
Moldando a sina do entardecer

Que só ele sabe
dos segredos Que virão
Se resguardar no canto das palavras
Ditas da boca noite
A todas as estrelas
Que rastream os amantes
silenciando a sanha da solidão

E os versos da canção
Trilham soltos na cidade
Misteriosamente
Feitos luminosidade

Na palma do coração
Estrelas me guiarão
Feito luminosidade.

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SONHAR
.
Sonhar é o ideal na vida insana
É viver feliz na quimera
E ditoso é aquele que permanece
Preservando o sonho que espera.
.
Meu sonho não é uma ilusão,
Sandice, bobagem ou crendice.
Do meu sonho não abro mão,
Não importa o que outros pensem.
.
Sonhando a vida é mais doce
Preencho o vazio que existe,
Frustrando minha realidade
Das desilusões que tive.
 
(Adina Bezerra – 04.06.05 – 10:30 – Belém – PA)

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JURA SECRETA 8

(Artur Gomes)

não fosse o teu amor o meu conforto
e eu teu anjo torto
se a jura secreta
não fosse mais que um poema
o que faria
se não te amasse
como glauber no cinema
o que trago aqui no corpo em transe
a quem daria?
 
http://jurassecretas.zip.net
http://arturgomes.zip.net
 
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EVOLUÇÃO
(Onna Agaya)

Inexoravelmente vento
brisa irrevogável do tempo
nenhum ser só subsiste
nem qualquer um outro
que em si próprio insiste
só sendo no devir a elipse
do segredo desterminante
que nada igual leva adiante
mas faz vir a ser no mundo
o cosmos, a espécie e o rumo.
 
CORAGEM
(Onna Agaya)
Pro corajoso
Nunca é cedo
Tão pouco é tarde
Se engendra a arte
Ao mesmo tempo
Amor e morte
Desafia o azar
E acerta a sorte
Se é frágil fica forte
Não sei se beija
Mas com certeza morde.